Há três anos, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, uma das 37 unidades de pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa –, incorporou uma nova raça de animal doméstico ameaçada de extinção ao seu programa de conservação. Trata-se do cavalo Baixadeiro, um animal encontrado na região da Baixada Maranhense.A raça eqüina é amplamente utilizada na da Baixada Maranhense, especialmente na lida com o gado. E, como esta é uma raça naturalizada no Brasil há séculos, ela pode constituir-se em uma fonte potencial de genes de interesse para programas de melhoramento genético animal.O trabalho de conservação dessa raça será desenvolvido em parceria entre a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e a Universidade Estadual do Maranhão – UEMA.
Por suas características fenotípicas e comportamentais, bem como pelas informações que obteve junto aos professores da UEMA e aos produtores da cidade de Pinheiro, na Baixada Maranhense, o coordenador da pesquisa, Arthur da Silva Mariante, confirmou o interesse da Embrapa na preservação do cavalo Baixadeiro. A Empresa mantém um programa de conservação e uso de raças de animais domésticos ameaçadas de extinção desde a década de 80, e, graças a esse programa, conduzido em parceria com outras unidades da Embrapa, várias raças consideradas "locais" – pois estão aqui desde o período da colonização – já estão praticamente livres do perigo de extinção, como o bovino Caracu e o ovino Crioulo Lanado.
Historicamente, as raças "locais" foram substituídas por outras consideradas mais produtivas. Mas, como estas raças centenárias guardam características de rusticidade e adaptabilidade adquiridas através da seleção natural, elas podem ser verdadeiros tesouros genéticos. E o programa de conservação e uso desenvolvido pela Embrapa pretende desenvolver este potencial, englobando bovinos, bubalinos, eqüinos, asininos, suínos, ovinos e caprinos. Além do cavalo Baixadeiro, que é a sua mais nova aquisição, o programa inclui três outras raças de eqüinos: Campeiro, Pantaneiro e Marajoara.
De acordo com o professor Arthur da Silva Mariante, o primeiro passo foi coletar o sangue do cavalo para realizar a sua caracterização genética, para compará-lo com as outras raças naturalizadas de eqüinos que já são estudadas pela Embrapa.Em seguida, foi feito um levantamento populacional na Baixada Maranhense.
O pesquisador explica que é muito importante para o êxito das pesquisas de conservação o levantamento de informações junto aos criadores daquela região."Pelas informações que obtive dos professores da UEMA, e pelo que pude verificar in loco, o cavalo Baixadeiro tem características semelhantes às apresentadas pelas raças Pantaneira e Marajoara, que também vivem em regiões inundáveis.Estas semelhanças serão confirmadas através dos procedimentos de análise genética", afirma Mariante.
Fonte: http://www.cenargen.embrapa.br/cenargenda/noticias/nsccc0407.pdf